Quem apura o imposto deveria ter tempo para analisá-lo

Pergunte a um analista fiscal como foi o último fechamento de IRPJ e CSLL e a resposta raramente será sobre o resultado. Será sobre o processo.
Extrair o balancete. Conferir se bateu com a contabilidade. Copiar para a planilha. Consertar as fórmulas que quebraram desde o último trimestre. Lançar adições e exclusões. Recalcular porque chegou um ajuste. Conferir de novo. Gerar a guia. E, no ano seguinte, levar tudo para os Blocos M e N da ECF.
Ao final, o número está pronto. Mas quase não sobrou tempo para olhar para ele.
O paradoxo da função
O profissional que apura o IRPJ e a CSLL é, provavelmente, quem mais conhece o resultado tributário da empresa. Ele sabe de onde vem cada adição, conhece o histórico dos prejuízos, entende por que a alíquota efetiva mudou de um período para outro.
E, ainda assim, a maior parte do seu tempo no fechamento é consumida por tarefas que não dependem desse conhecimento: transcrever, conferir, reformatar, reprocessar.
É um desperdício duplo. A empresa paga por um conhecimento técnico que é usado em uma fração do tempo. E o profissional passa o fechamento sob pressão de prazo, com pouco espaço para mostrar o que realmente sabe fazer.
O que seria analisar
Quando a montagem do cálculo deixa de ocupar o fechamento, o trabalho muda de natureza. Algumas perguntas passam a caber na rotina:
- Por que a alíquota efetiva deste trimestre é diferente da do anterior?
- Há exclusões ou incentivos que não estão sendo aproveitados?
- O saldo de prejuízo fiscal está sendo usado da forma correta dentro da trava de 30%?
- Como ficaria o resultado do ano em diferentes cenários de fechamento?
Essas perguntas geram valor para a empresa. Reduzem risco, apontam oportunidades e sustentam decisões da gestão. E são exatamente as que ficam para depois quando o fechamento é consumido pela operação.
Menos esforço manual, mais protagonismo
Existe um receio comum quando se fala em automatizar a apuração: o de que a tecnologia substitua o analista. A experiência mostra o contrário.
O que a automação substitui é a parte do trabalho que não exige julgamento técnico. O que ela preserva, e valoriza, é justamente o julgamento. O analista deixa de ser quem monta o cálculo e passa a ser quem revisa, interpreta e explica o resultado. É uma mudança de posição dentro da empresa.
Os números de quem já fez essa mudança ajudam a dimensionar o ganho. Na Iguatemi, duas pessoas conduzem a apuração de 58 empresas, com 50% menos tempo dedicado ao processo. No Grupo IRKO, quatro analistas dão conta de 110 obrigações anuais. Não porque trabalham mais, mas porque o tempo deles está onde precisa estar.
O fechamento como vitrine
Para o profissional fiscal, o fechamento é o momento de maior visibilidade. É quando a gestão olha para a área, quando o CFO pergunta pelo número, quando a auditoria pede explicações.
Chegar a esse momento com o cálculo pronto com antecedência, revisado com calma e acompanhado de uma análise sobre o que mudou é muito diferente de chegar com o número fechado na véspera. A primeira situação mostra domínio. A segunda, apenas esforço.
Para quem lidera a área
Se você coordena uma equipe fiscal, vale uma reflexão sobre o próximo fechamento: quanto das horas da equipe foi para montar o cálculo e quanto foi para entendê-lo?
A resposta diz muito sobre o quanto a empresa está aproveitando o conhecimento que já tem dentro de casa.
Na TS, acreditamos que a tecnologia especializada existe para isso: automatizar o que é operacional e liberar tempo para o que é estratégico. Porque quem apura o imposto deveria, sim, ter tempo para analisá-lo.

